A Lei de Caridade: perspectivas entre a Cáritas Cristã e a Khidma Islâmica
“A caridade é a base da Umbanda; sem ela não há trabalho espiritual legítimo.”
W. W. da Matta e Silva, Umbanda de Todos Nós (1956)
Completando o meu primeiro ano na Umbanda, a caridade virou um tema de investigação para mim. Logo de início, lendo principalmente Jean Borella e Mário Ferreira dos Santos – dois pensadores que influenciam bastante a minha visão de mundo – fica evidente que a caridade não é um sentimento e não é filantropia.
A caridade, na verdade, é a manifestação de uma “inteligência superior” segundo Mário Ferreira dos Santos. É virtude ontologicamente fundada – ou seja, não é apenas uma regra moral inventada pelas pessoas, mas nasce da própria estrutura da condição humana – vinculada à ordem metafísica da realidade.
A caridade é fruto do entendimento e da bondade. Sem essas qualificações, não há caridade. Existe uma outra coisa, que não é necessariamente caridade, que a tradição islâmica chama de khidma: adorar a Deus através do serviço às criaturas. Khidma aqui é uma disciplina espiritual e um meio para purificar o ego.
A caridade é um ato livre, consciente, fundado na verdade sobre o homem. A caridade, a manifestação do Nome Al-Wadūd (O Amoroso) na tradição islâmica, é um grau avançado de realização espiritual.
Thomaz Almeida
Gazeta de Limeira, Ano 95, nº 21.381, 20/02/2026, pág. 06
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