Ritual de Recolhimento 2026

No dia 07 de março, tivemos o Ritual do Recolhimento (ou Deitada), conforme as orientações das entidades de comando de nossa Casa.

O recolhimento é um rito de passagem e transformação do médium, guiado pelo silêncio. Esse silêncio não é ausência; é presença, que se torna caminho.

A palavra se aquieta para que a alma aprenda a escutar aquilo que o mundo apressado costuma esconder. É uma reconexão consigo mesmo e com a ancestralidade que ampara toda a construção do médium. É um ato de cura e renovação.

O corpo, então, torna-se templo. Os banhos de ervas lavam não apenas a pele, mas também o cansaço invisível que a vida deixa, as cargas dos caminhos que passaram. Cada folha carrega um sopro da natureza; cada gota de água parece lembrar que a terra também reza. E assim o espírito se torna mais leve, mais aberto, mais capaz de sentir a presença dos guias.

Nessas horas de recolhimento, há também cuidado e proteção. Como uma chama que precisa do abrigo das mãos para não se apagar ao vento, o médium é guardado pela força espiritual do terreiro, pelos seus guias, pelos orixás, pelos seus mais velhos e pelos dirigentes da Casa. São os pais que cuidam dos filhos, velam, na penumbra, o ninar da espiritualidade de cada um.

A deitada não é apenas pausa. É retorno. É despertar.

E, quando o recolhimento termina, aquele que se levanta não é exatamente o mesmo, pois carrega dentro de si um pouco mais de luz, um pouco mais de calma e um pouco mais de céu e terra.

Assim, na calma da deitada, a fé se fortalece, e o caminho se prepara para que o trabalho espiritual floresça com firmeza, luz e equilíbrio.

Que os guias espirituais e os orixás continuem abençoando os caminhos de nossa Casa e de todos os seus filhos, em especial, os que se recolheram para o Sagrado.