Na Escola dos Pretos Velhos, nada se atropela. O tempo não é um inimigo, mas o mestre que garante que a raiz seja profunda o suficiente para sustentar a copa. O desenvolvimento mediúnico seguro exige paciência para observar, ouvir e sentir antes de agir. É no “tempo das almas” que o médium aprende a distinguir suas próprias vontades da voz do guia, evitando o animismo desenfreado e as mistificações.
A conexão com essas entidades exige mais do que apenas “receber” o espírito. A verdadeira evolução mediúnica nasce da busca ativa pelo conhecimento e do autoaperfeiçoamento. Preto Velho ensina pela humildade, mas o médium deve buscar o estudo das ervas, dos fundamentos e da ética espiritual. Sem instrução, a mediunidade torna-se um mar sem bússola.
A humildade é a única proteção real contra as armadilhas do ego. O médium é apenas um instrumento, um fio condutor que deve estar desobstruído de orgulho. Quando o médium acredita saber mais que a entidade, ou quando busca o aplauso pela beleza de um passe ou de uma consulta, a caridade verdadeira morre. Os Pretos Velhos, com sua postura curvada e fala simples, nos ensinam que quanto mais alto subimos na escala espiritual, mais devemos nos inclinar em serviço ao próximo.
Não se pode vibrar na frequência da paz de um Vovô ou de uma Vovó se o coração do médium estiver cheio de orgulho. A evolução é o compromisso de ser hoje uma pessoa melhor do que ontem.
A ancestralidade exige respeito aos ciclos. O médium que busca evoluir entende que a incorporação é o fim de um processo que começa no dia a dia, na caridade silenciosa e na vigilância dos próprios pensamentos. Exaltar essa ancestralidade é compreender que o aparelho (médium) precisa estar tão limpo e preparado quanto a sabedoria que o atravessa.No estalar do seu cachimbo, no cheiro do alecrim, da alfazema e da arruda, reside a paciência de quem entende que o tempo de Deus não é o tempo dos homens. Essa é a Mironga de Preto Velho!
Saravá os Pretos Velhos!
Adorei as Almas!
Yerárêsê
Confraria dos Pretos Velhos de Umbanda



